7.2.12

#pré-abertura: mesmo antes de inaugurar, o hotel downtown, na cidade do méxico, é premiado pela revista Wallpaper*


[A piscina e o bar do Downtown, em comunhão com o centro histórico envolvente (foto de divulgação)]

Se tudo correr como previsto, Downtown, o mais novo membro da linhagem hoteleira do Grupo Habita, só deve abrir as suas portas no próximo mês de Março (pelo menos é o que se diz, mas, até ver, no site do grupo só figura o logo e não dá para fazer reservas).

[A belíssima fachada do antigo palácio dos Condes de Miravalle (foto de divulgação)]

Tratando-se de mais um projeto da dupla-maravilha Carlos Couturier e Moises Micha, os dois empresários que deixaram para trás bem sucedidas carreiras no mundo das finanças para criar a marca de hotelaria Habita, claro que a expectativa é sempre grande. Desta vez, porém, um hotel deles, o terceiro só na Cidade do México (depois do Habita e do Condesa df), dá logo o que falar antes da inauguração.

[Vários elementos foram preservados, como a pedra vulcânica avermelhada das paredes (foto de divulgação)]

Tudo porque a Wallpaper*, porventura a revista de lifestyle mais influente do planeta, o distinguiu, na categoria de melhor reforma, com um Design Award 2012.

[O antes... (direitos reservados)]

[... e o depois (foto de divulgação)]

Em causa, o trabalho minucioso de recuperação levado a cabo num palácio datado de 1670, em pleno centro histórico da capital mexicana, onde o hotel se encontra instalado. 

[A imponente escadaria em ferro forjado (foto de divulgação)]

Frente ao Casino Español, a poucos metros da emblemática Plaza de la Constitución (mais conhecida por El Zocalo), o Downtown ressuscitou uma das poucas residências, onde viveram os Condes de Miravalle (representantes da coroa espanhola e patronos de inúmeras missões franciscanas e jesuítas), que mantinham o esplendor barroco dessa época.

[Vista geral do terraço superior (foto de divulgação)]

Foram poucas as imagens vazadas para a imprensa, mas segundo me adiantou Rafael Micha, filho de Moises e um dos gerentes da cadeia Habita, foi necessário preservar elementos como as paredes em pedra vulcânica (de um tom avermelhado muito bonito), as portas e as janelas emolduradas por alvenaria, os pátios, os ladrilhos de cimento feitos à mão ou a imponente escadaria em ferro forjado.

[O mural "El Holocausto", uma das jóias recuperadas (foto de divulgação)]

Aliás, esta última dá acesso a uma outra jóia escondida, o mural “El Holocausto”, uma obra de 1945 atribuída ao pintor Manuel Rodríguez Lozano, que, esquecida por anos a fio, recuperou todo o seu viço.

[Um dos poucos quartos com apenas uma cama de casal, king size no caso (foto de divulgação)]

É nos quartos, apenas 17 (11 suites ao redor do pátio central e seis suites master com varandas que dão diretamente para a rua), que se sente mais a intervenção do atelier mexicano de arquitetura Cherem-Serrano, que, numa depuração quase monástica, harmonizou tetos abobadados revestidos a ladrilhos de terracota e vigas de madeira com o piso em basalto e a treliça de tijolo usados nas casas-de-banho. O resultado é um misto de herança mexicana e chic europeu.

[O mesmo quarto visto de um outro ângulo (foto de divulgação)]

Com vários hotéis no México e uma incursão recente em Nova Iorque (o muito falado e elogiado Hôtel Americano), o Grupo Habita desde sempre associa os seus projetos a ateliers de renome, e até premiados internacionalmente, como o TenArquitectos de Enrique Norten. 

[O dia em que foi anunciado o prémio, na foto consegue-se vislumbrar um dos quartos virados para a rua (direitos reservados)]

O Downtown não é diferente e promete inovar também pelo seu conceito de alojamento: apenas dois quartos duplos e outros quatro twins. Os restantes possuem entre seis a quatro camas (de diferentes tamanhos e layouts), com casas-de-banho e chuveiros comuns no mesmo andar, destinados a grupos de amigos e/ou famílias que desejem partilhar uma experiência.

[A vista do bar para a piscina (foto de divulgação)]


Imbuído desse espírito de comunhão, o hotel disponibiliza ainda uma piscina e bar no terraço panorâmico, uma sala de projeção, um jardim (chela) e um restaurante de comida mexicana de rua (fonda).

[O hotel fica frente ao Casino Español (foto de divulgação)]

Faz um bom tempo que não regresso à Cidade do México, que adoro, mas recordo-me bem como todo o centro histórico, onde se encontra agora o Downtown, padecia de um mal muito comum em outras metrópoles: comércio e visitantes durante o dia, mas praticamente deserto à noite.

[Mais uma vista da piscina e bar (foto de divulgação)]

Reconhecido como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, o centro histórico da capital mexicana é um verdadeiro museu a céu aberto. Com uma área impressionante de 9,7 quilómetros, ele abriga 436 edifícios de valor monumental, 196 monumentos civis, 67 monumentos religiosos, 53 museus, 78 praças e jardins, 19 claustros, 28 fontes e 12 murais, todos erigidos entre os séculos XVI e XIX. 

Oxalá o novo hotel, integrado numa estratégia de revitalização que não é de hoje, possa contribuir para reverter o quadro. 

No que depender de mim, não vejo a hora de voltar. Ainda mais com uma novidade destas.

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