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26.2.13

#gastronomia: helena rizzo, daniel redondo e tsuyoshi murakami são os chefs convidados do vila joya no dia 8 de março

[De São Paulo para a praia da Galé, no Algarve: Helena Rizzo e Daniel Redondo (foto de divulgação)]

Trio de peso em Portugal. Helena Rizzo, Daniel Redondo e Tsuyoshi Murakami são os chefs convidados do Vila Joya no dia 8 de março.

Há quem não saiba, mas o Vila Joya (duas estrelas Michelin, na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo segundo a revista Restaurant), em Albufeira, é um dos parceiros do Festival Portugal dos Sabores, que decorre ao abrigo das celebrações do Ano de Portugal no Brasil.

De 6 a 9 de março, o encontro está marcado na praia da Galé (Algarve), para mais uma série de atividades e jantares que assinalam a troca de experiências entre chefs portugueses e brasileiros.

Nesta edição, os convidados especialíssimos são os brasileiros Helena Rizzo e Daniel Redondo (do Restaurante Maní, em São Paulo, que está na lista dos 100 Melhores do Mundo da Restaurant) e Tsuyoshi Murakami (do celebrado Kinoshita, também em São Paulo). Os três vão assinar o jantar de dia 8 de março.

Mas há mais: 
+Dias 6 e 7: a região do Alentejo vai estar em foco com a apanha de percebes, acaça às túberas e ações ao redor do seu símbolo maior, o porco preto.
+Dia 9: Onze chefs de Portugal assinam o jantar dessa noite. São eles: Dieter Koschina (Vila Joya), Hans Neuner (Ocean), Vitor Sobral (Tasca da Esquina), Leonel Pereira (São Gabriel), Luis Baena (Chef Executivo Hotéis Tivoli), Albano Lourenço (Arcadas da Capela), José Cordeiro (Feitoria), José Avillez (Belcanto), Ricardo Costa (Yeatman), Benoit Sinthon (II Gallo d'Oro) e Paulo Morais (UMAI).

Portugal dos Sabores no Vila Joya | 6 a 9 de março de 2013 | mais informações e reservas:info@portugaldossabores.com

3.6.12

#hotel de charme: a cozinha do chef rui paula, vista por dentro e por fora em jeito de fotoblog, no vidago palace | parte 2

[Chef Rui Paula, agora também no Vidago Palace (foto de divulgação editada)]


"As pessoas já me conhecem, mas eu quero que saibam que o Rui Paula agora também está no Vidago", começa por me dizer o chef quando nos reencontramos num dos corredores do hotel, horas antes do jantar de degustação que preparou para a imprensa.


[O Salão Nobre do hotel, horas antes do jantar de degustação (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Não por acaso, deixei para um segundo post a cozinha do Vidago Palace. O chef Rui Paula, que comemora hoje (dia 3) 45 anos, começou a exercer as funções de consultor gastronómico do hotel-palácio em setembro de 2011, mas esperou até ao início de março deste ano para tornar o facto oficial.


[O início dos trabalhos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Rui Paula não está a tempo inteiro no hotel — nem poderia, pois continua de pedra e cal à frente dos seus dois restaurantes, o D.O.C. em Folgosa do Douro e o D.O.P. no Porto, que lhe dão muito que fazer. Mas, como da Invicta ao Vidago é pouco mais do que uma hora de carro, aceitou o desafio.


[Carpaccio de pezinhos de coentrada  (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


O Vidago já teve um outro chef e não correu lá muito bem. A aposta em Rui Paula como consultor, em lugar de um chef executivo interno, é fácil de explicar: a médio prazo, a unidade quer conquistar cerca de 30% de clientela estrangeira (sobretudo espanhóis, até pela proximidade à fronteira), mas precisa também atrair e consolidar uma boa base de clientes nacionais.


[Hambúrguer de caça em pão de brioche (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Para tal contam com Rui Paula. "Um restaurante em Portugal tem de ter uma boa base de clientes portugueses. Sem isso não se aguenta", continua o chef, que se pode orgulhar de ter uma clientela leal no Norte do país (mas não só) que o segue e aceita, se preciso for, a suas sugestões de olhos fechados. 


A sua forma de estar, o seu conceito de cozinha (regional, mas contemporânea) e o facto de ser um chef experiente e todo-o-terreno — no sentido em que está habituado tanto a trabalhar para grupos mais restritos como para grupos maiores e eventos — pesaram igualmente na sua contratação. 


Nem tudo está ainda nos trinques. Paula sabe, por exemplo, que precisa mexer na carta dos vinhos, excessivamente cara, e dinamizar a cave, onde, além dos jantares na fórmula "Mesa do Chef" (até doze pessoas) e das provas acompanhadas de tapas e presunto, quer que seja possível, como já se faz noutros hotéis vínicos, os clientes virem para escolher o vinho que irão depois degustar com a refeição.


[Terrina de foie gras (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Seja como for, a sua maior responsabilidade é a de criar os cardápios. Promete algumas novidades no Vidago, mas, no geral, "serão pratos já testados no D.O.C. e no D.O.P.", afirma, fazendo jus à lógica de que será ele, e a sua cozinha, o principal chamariz para atrair comensais ao hotel.


Nessa noite, Paula submeter-se-ia a uma prova de fogo: atender no mesmo Salão Nobre do hotel — apenas aberto ao jantar, o antigo salão de baile proporciona um quadro de grand décor com os seus painéis dourados e carpete florida — dois eventos e um grupo de jornalistas. Detalhe: todos com menus diferentes.


[Cherne com pinhões, Repolga e feijão verde (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


No meu caso, tratava-de de uma oportunidade para ficar a conhecer o menu de degustação em versão mais alargada do que o costume — por regra, são duas entradas, um prato de peixe, outro de carne e uma sobremesa e custa 70 euros (sem bebidas) ou 90 euros (com bebidas) por pessoa. Com o jeito que lhe é peculiar, às oito da noite em ponto já Paula andava a chamar (intimar é mais o termo) para a mesa e a avisar que os quatro amuse-bouches deveriam ser comidos sem demoras e com as mãos — por ordem: tortilha de caviar, cogumelo recheado, carpaccio de pezinhos de coentrada (em azeite de coentros) e hambúrguer de caça em pão de brioche.


Como entrada, terrina de foie gras com uma redução de figo e pêra bêbada para se casar bem com o presunto e o brioche frito em azeite. Foi mais ou menos por essa altura que comecei a notar alguma sobreposição de sabores demasiado marcantes no mesmo prato. Mais equilibrado, o cherne com pinhões, Repolga (um cogumelo de Vila Flor) e feijão verde.


Enquanto isso, na cozinha desenhada pelo prémio Pritzker português Siza Vieira (que assina também o spa e o Club House, referidos no post anterior), a azáfama era grande para dar os últimos retoques no prato de carne: carré de cordeiro com puré de queijo de cabra.


[A azáfama da cozinha durante o jantar (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Apesar de vir apenas uma vez por semana, de sábado para domingo, Rui Paula não dá mostras de estranhar a cozinha do Vidago. 


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]


Pelo contrário.


Com voz autoritária comanda — ou melhor: grita ordens e instruções — uma equipa que não é a sua do dia a dia e é o primeiro a apontar, apesar do breu lá fora, as janelas que Siza fez questão de incorporar para deixar entrar luz natural. Só quem vive habitualmente enfurnado numa cozinha de hotel sabe realmente apreciar pormenores como esse.


[A linha de "empratamento" (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Rui Paula não é do tipo que faz muitas cerimónias. Mesmo quem o conhece pouco, depressa se apercebe que, ao contrário de outros chefs, não é avesso às câmaras e gosta de falar. Na linha de "empratamento", porém, o seu foco muda e a atenção está não só no que faz, mas no que todos os outros à sua volta fazem.


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Há muito de autodidata na formação deste chef nortenho, o que acaba por ser um traço relativamente comum no percurso de outros seus colegas. Quem ambiciona, no entanto, chegar mais longe sabe ser fundamental desenvolver à posteriori um trabalho constante de pesquisa, estar atento à concorrência e, se possível, aprender com ela.


No caso de Paula, e mesmo depois de ser reconhecido em Portugal, este não se melindra em ir, vez por outra, "estagiar" por curtos períodos em cozinhas de pesos-pesados como os irmãos Roca, em Girona (Celler de Can Roca, três estrelas Michelin e segundo melhor do mundo no top 10 dos prémios The World's 50 Best).


[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Ter ou não ter uma estrela Michelin não é uma questão que passe ao lado de Rui Paula. Desde que escrevi pela primeira sobre ele, e já lá vão alguns anos, esse foi sempre um assunto presente. Ele não esconde de ninguém que quer muito a primeira estrela. Alguns críticos gastronómicos da nossa praça, como Fernando Melo, defendem que possui créditos suficientes para isso; outros acham que essa ambição está a exercer uma pressão nem sempre profícua no rumo seguido por Paula, que, na ânsia legítima de ser mais notado, tem vindo a introduzir na sua cozinha de base regional algum "experimentalismo" decalcado da cozinha tecnoemocional; nem sempre, acrescentam, com os melhores resultados finais. 


[E, voilà, o carré de cordeiro devidamente empratado e pronto a ser servido (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Não sou crítico, mas depois de ter provado, do princípio ao fim, esta versão "especial" do menu de degustação do Vidago  — e a seguir ao carré veio ainda um crepe de leite-creme com gelado de citrinos —, dou um pouco de razão a estes últimos. 


Sem desmerecer o trabalho do chef, a quem reconheço o empenho, a garra e até uma saudável truculência tão caraterística das gentes do Norte de Portugal, houve ali harmonizações menos felizes — o puré de queijo de cabra, muito forte, roubou toda a cena ao cordeiro, por exemplo — e alguma "pirotecnia" desnecessária — o limpa-palato servido entre os pratos de peixe e carne era, nada mais nada menos, uma "framboesa explosiva" que reabilitava as petazetas dos anos 1980 para criar uma sensação de efervescência na boca... 


Curioso, ou nem por isso, é que acabei por gostar bem mais dos pratos que estão no cardápio, servido quer no Salão Nobre quer no "Jardim de Inverno", que do menu de degustação.

[O "Jardim de Inverno" visto do mezanino (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A propósito do "Jardim de Inverno", digo — ou melhor escrevo — que esta sala é, sem erro, a minha preferida das áreas comuns do hotel. Palaciana, como quase tudo o resto ali, mas, ao contrário do Salão Nobre, possui uma escala mais humana, o que a torna intimista, e, para o meu gosto, uma decoração menos pesada.

[O "Jardim de Inverno" visto da entrada (foto de divulgação editada)]

Lindo o lanternim central (para muitos uma clarabóia), que inunda o espaço de luz natural, mas filtrada graças também aos tons dominantes de azul-cinza e bordeaux. As cadeiras de madeira e palhinha, os tampos lacados, as palmeiras envasadas, as quatro luminárias suspensas (que foram fabricadas ainda na antiga Checoslováquia), as vitrinas em carvalho onde se exibe a baixela ou até a coleção de fotografias contemporâneas de Mariana Viegas, o conjunto reforça a ideia de jardim de inverno.

[O robalo com arroz selvagem (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Felizmente, além de ter um mezanino com uma biblioteca acessível a qualquer hora do dia, esta sala deixou de ser usada apenas para os pequenos-almoços e foi precisamente num almoço domingueiro, familiar e sem pressas como devem ser os almoços de domingo, que degustei um bom robalo com arroz selvagem e, para adoçar a boca no final, um leite-creme de laranja.

[O leite-creme de laranja (©joão miguel simões, todos direitos reservados)]

Cozinha portuguesa, ainda que desconstruída para lhe dar uma maior leveza e permitir outras combinações — dou exemplos: cabrito à transmontana com seus miúdos ou bacalhau com broa em seu azeite, mas também a perdiz estufada com puré de castanha e puré de abóbora, o cachaço de porco bísaro cozinhado por doze horas e servido com migas de feijão frade e grelos ou o tamboril com risotto de lima — , é uma aposta que faz sentido ali. 

E é este o registo, onde "menos é mais", em que a cozinha de Paula me agrada. Mais terra-a-terra e sem recorrer a "experimentalismos" que, na maior dos casos, ou pesam ou resultam em desnecessária "pirotecnia" (sim, ainda as petazetas...).

Vidago Palace | Parque de Vidago, Apartado 16, tel. 276 990 920. O Salão Nobre abre apenas ao jantar.

19.4.12

#novidade: na londres pré-olímpica acaba de abrir o hotel belgraves, que combina o rigor britânico com a bonomia americana

[O lobby (foto de divulgação)]
E já faltam menos de 100 dias!

[A entrada (foto de divulgação)]

Em contagem decrescente para as Olimpíadas, Londres não tem mãos a medir para dar conta de tanta inauguração. Entre as novidades, os hotéis, como já seria de imaginar e esperar, ocupam um quinhão muito significativo. 

[O Mark's Bar Lounge (foto de divulgação)]

Jason Pomeranc, o hoteleiro que devolveu a Nova Iorque (sobretudo na zona da Baixa) um conceito de luxo mais despojado com a cadeia Thompson, atravessou o atlântico e aterrou com uma unidade novinha em folha que já dá o que falar. 

[O corredor (foto de divulgação)]

Belgraves, assim se chama por ficar no elegante bairro londrino de Belgravia, a dois passos de artérias comerciais como Sloane Square, possui 85 quartos — o que é, convenhamos, um número simpático (nem grande em excesso, nem demasiado pequeno) — e tem como proposta aliar ao rigor da hospitalidade britânica um toque mais descontraído tipicamente norte-americano. 

[Um dos quartos (foto de divulgação)]

Esta aliança é curiosa, tanto que houve por parte da marca Thompson e de Pomeranc o cuidado, provavelmente para não ferir suscetibilidades, de entregar a britânicos áreas-chave do projeto: a arquitetura é da firma EPR, o design de interiores de Tara Bernerd e a chefia de operações foi confiada a Marx Hix (que emprestou o sobrenome ao restaurante). 

[A sala da Penthouse (foto de divulgação)]

Outro pormenor que não foi deixado ao acaso foi a própria vivência do hotel. O lobby mostra, desde logo, ao que o hotel veio, com um tipo de atmosfera que tanto serve o interesse do hóspede como de quem está só de passagem e quer usufruir das áreas comuns como o restaurante, de nova cozinha britânica, ou o bar-biblioteca.

[O Hix Restaurant (foto de divulgação)]

O preço das diárias vai variar conforme a época, claro, mas a título de exemplo posso dizer que, numa pesquisa rápida e sem entrar em pacotes especiais (vale a pena conferir, pois eles sempre compensam), verifiquei um valor médio de €300.

5.3.12

#novidade: herdade da nespereira & moinho velho, refúgio de charme perto de Odemira, no alentejo

[Vista geral da Herdade da Nespereira & Moinho Velho, no concelho de Odemira, (foto de divulgação)]

Não são conhecidos ainda grande detalhes, até porque o site está a ser ultimado e até ver existe apenas uma página no Facebook, mas há um novo projeto turístico no Alentejo e a sua abertura ao mercado português deve ser tornada oficial nos próximos dias pela agência de comunicação que vai fazer a sua assessoria.

[O moinho velho entretanto recuperado (foto de divulgação)]

Mas, e até porque não me foi pedido segredo, dá já para adiantar alguns detalhes em primeiríssima mão.

[Vários hectares de sobreiros fazem parte dos atrativos da herdade (foto de divulgação)]

Gerida pela família inglesa Gredely, que habita na casa principal, a Herdade da Nespereira & Moinho Velho, na localidade de Casa Nova da Cruz (concelho de Odemira, nas imediações de São Teotónio), levou sete anos a tomar forma.

[Um dos quartos do Monte do Carvalho (foto de divulgação)]

Em plena área de Reserva Natural, rodeada de floresta de sobreiros (aliás, a propriedade inclui uma nova plantação de 25 hectares só de sobreiros), esta herdade tratou de capitalizar atrativos que já existiam, como um moinho e quatro reservatórios de água, e idealizou um conceito de hospedagem assente em quatro montes (totalmente equipados, eles são personalizados e respondem por nomes próprios como Carvalho, Cortiça ou Azenha) e quatro refúgios florestais, todos eles rústicos, com mobiliário típico alentejano recuperado dos anos 1970 e que permitem diferentes tipos de contato com a Natureza circundante.

[Sala do Monte da Cortiça (foto de divulgação)]

Na casa principal, residência dos donos, ficarão serviços de apoio como a piscina comum, o café e uma clubhouse. Entre as atividades previstas — ah, detalhe importante, famílias com crianças serão bem-vindas, com ocupações específicas para os hóspedes mais novos —, destaque para práticas saudáveis como o ioga ou o qigong, além de caminhadas, surf ou passeios em bicicleta de montanha.

[Mais simples e rústicos, os refúgios florestais são outra alternativa de alojamento (foto de divulgação)]

E é tudo o que se pode contar por agora.

7.2.12

#pré-abertura: mesmo antes de inaugurar, o hotel downtown, na cidade do méxico, é premiado pela revista Wallpaper*


[A piscina e o bar do Downtown, em comunhão com o centro histórico envolvente (foto de divulgação)]

Se tudo correr como previsto, Downtown, o mais novo membro da linhagem hoteleira do Grupo Habita, só deve abrir as suas portas no próximo mês de Março (pelo menos é o que se diz, mas, até ver, no site do grupo só figura o logo e não dá para fazer reservas).

[A belíssima fachada do antigo palácio dos Condes de Miravalle (foto de divulgação)]

Tratando-se de mais um projeto da dupla-maravilha Carlos Couturier e Moises Micha, os dois empresários que deixaram para trás bem sucedidas carreiras no mundo das finanças para criar a marca de hotelaria Habita, claro que a expectativa é sempre grande. Desta vez, porém, um hotel deles, o terceiro só na Cidade do México (depois do Habita e do Condesa df), dá logo o que falar antes da inauguração.

[Vários elementos foram preservados, como a pedra vulcânica avermelhada das paredes (foto de divulgação)]

Tudo porque a Wallpaper*, porventura a revista de lifestyle mais influente do planeta, o distinguiu, na categoria de melhor reforma, com um Design Award 2012.

[O antes... (direitos reservados)]

[... e o depois (foto de divulgação)]

Em causa, o trabalho minucioso de recuperação levado a cabo num palácio datado de 1670, em pleno centro histórico da capital mexicana, onde o hotel se encontra instalado. 

[A imponente escadaria em ferro forjado (foto de divulgação)]

Frente ao Casino Español, a poucos metros da emblemática Plaza de la Constitución (mais conhecida por El Zocalo), o Downtown ressuscitou uma das poucas residências, onde viveram os Condes de Miravalle (representantes da coroa espanhola e patronos de inúmeras missões franciscanas e jesuítas), que mantinham o esplendor barroco dessa época.

[Vista geral do terraço superior (foto de divulgação)]

Foram poucas as imagens vazadas para a imprensa, mas segundo me adiantou Rafael Micha, filho de Moises e um dos gerentes da cadeia Habita, foi necessário preservar elementos como as paredes em pedra vulcânica (de um tom avermelhado muito bonito), as portas e as janelas emolduradas por alvenaria, os pátios, os ladrilhos de cimento feitos à mão ou a imponente escadaria em ferro forjado.

[O mural "El Holocausto", uma das jóias recuperadas (foto de divulgação)]

Aliás, esta última dá acesso a uma outra jóia escondida, o mural “El Holocausto”, uma obra de 1945 atribuída ao pintor Manuel Rodríguez Lozano, que, esquecida por anos a fio, recuperou todo o seu viço.

[Um dos poucos quartos com apenas uma cama de casal, king size no caso (foto de divulgação)]

É nos quartos, apenas 17 (11 suites ao redor do pátio central e seis suites master com varandas que dão diretamente para a rua), que se sente mais a intervenção do atelier mexicano de arquitetura Cherem-Serrano, que, numa depuração quase monástica, harmonizou tetos abobadados revestidos a ladrilhos de terracota e vigas de madeira com o piso em basalto e a treliça de tijolo usados nas casas-de-banho. O resultado é um misto de herança mexicana e chic europeu.

[O mesmo quarto visto de um outro ângulo (foto de divulgação)]

Com vários hotéis no México e uma incursão recente em Nova Iorque (o muito falado e elogiado Hôtel Americano), o Grupo Habita desde sempre associa os seus projetos a ateliers de renome, e até premiados internacionalmente, como o TenArquitectos de Enrique Norten. 

[O dia em que foi anunciado o prémio, na foto consegue-se vislumbrar um dos quartos virados para a rua (direitos reservados)]

O Downtown não é diferente e promete inovar também pelo seu conceito de alojamento: apenas dois quartos duplos e outros quatro twins. Os restantes possuem entre seis a quatro camas (de diferentes tamanhos e layouts), com casas-de-banho e chuveiros comuns no mesmo andar, destinados a grupos de amigos e/ou famílias que desejem partilhar uma experiência.

[A vista do bar para a piscina (foto de divulgação)]


Imbuído desse espírito de comunhão, o hotel disponibiliza ainda uma piscina e bar no terraço panorâmico, uma sala de projeção, um jardim (chela) e um restaurante de comida mexicana de rua (fonda).

[O hotel fica frente ao Casino Español (foto de divulgação)]

Faz um bom tempo que não regresso à Cidade do México, que adoro, mas recordo-me bem como todo o centro histórico, onde se encontra agora o Downtown, padecia de um mal muito comum em outras metrópoles: comércio e visitantes durante o dia, mas praticamente deserto à noite.

[Mais uma vista da piscina e bar (foto de divulgação)]

Reconhecido como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, o centro histórico da capital mexicana é um verdadeiro museu a céu aberto. Com uma área impressionante de 9,7 quilómetros, ele abriga 436 edifícios de valor monumental, 196 monumentos civis, 67 monumentos religiosos, 53 museus, 78 praças e jardins, 19 claustros, 28 fontes e 12 murais, todos erigidos entre os séculos XVI e XIX. 

Oxalá o novo hotel, integrado numa estratégia de revitalização que não é de hoje, possa contribuir para reverter o quadro. 

No que depender de mim, não vejo a hora de voltar. Ainda mais com uma novidade destas.

4.2.12

#direto de courchevel: la sivolière, porque os detalhes, mesmo os menores, contam

[A fachada do hotel, num dos trechos mais calmos de Courchevel 1850 (foto de divulgação)]

Como praticamente tudo em Courchevel 1850, La Sivolière não é barato. Mas, na multidão de hotéis de luxo da estância mais badalada dos Alpes franceses, ele consegue destacar-se pela discrição, aconchego, atendimento personalizado, intimismo na medida exata e localização certeira (perto da "movida", mas suficientemente longe para não ser contagiado por ela).

[Os muitos detalhes que fazem do La Sivolière um endereço de charme alpino (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Não é o único, claro, mas há qualquer coisa nele de familiar que me agrada, sobretudo porque essa sensação tem a ver com uma escala humana (marca registada da sua gerente, a incansável Florence Carcassonne) e não com a pretensão de se querer passar por aquilo que não é.

[Na receção fica logo claro que os hóspedes de quatro patas são bem-vindos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Explico melhor. 

O La Sivolière, ainda que pequeno (com apenas 24 quartos, 11 suites e um apartamento), não cria em nós, seus hóspedes, a ilusão de estarmos a ser recebidos na casa de amigos ricos. Ele não é um hotel-casa, é um hotel-hotel, com todos os serviços inerentes, que nos faz sentir bem porque, precisamente, não estamos na nossa casa e por isso não temos de nos preocupar com rotinas.

[O lobby (foto de divulgação)]

E foi isso, mais do que tudo o resto, que me conquistou nos quase quatro dias e três noites que passei ali.

Não que as outras coisas sejam detalhes de somenos importância. Longe disso.

[Escadaria de acesso aos quartos e suites (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Por exemplo: pais com crianças de tenra idade, cada vez mais "excluídos" em pequenos hotéis, vão gostar de saber que o La Sivolière é a segunda propriedade em França a obter a certificação de Petit VIP, o que, traduzido por miúdos (não resisti ao trocadilho, óbvio eu sei!), equivale a dizer que estendem o serviço cinco estrelas aos mais novos e que todo o pessoal do hotel foi treinado para ser "child-friendly" e estar à altura da situação.

Poderia ser um direito adquirido, mas não é, pelo que o La Sivolière pretende ir além de um simples Kids Club. 

[Um dos 24 quartos do La Sivolière (foto de divulgação)]

Do mesmo modo, as taças com água e biscoitos, na receção, não deixam margens para dúvida: este é também um hotel onde os hóspedes se podem fazer acompanhar dos seus cães. Os bichanos não estão autorizados a circular pelas áreas comuns, mas partilham, em regime de meia-pensão, os aposentos dos donos e têm à sua disposição os serviços de "babás" e até de um osteopata canino.

E quem não tem crianças nem cães, será que estará pelos ajustes?

[Vários detalhes da suite 50 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É tudo uma questão de bom-senso. Crianças (bem) educadas sabem comportar-se em qualquer lugar. Donos civilizados sabem educar os seus animais. Pelo menos, em teoria é assim. De todas as formas, crianças não vi durante a minha curta estada, mas havia cachorros no hotel e não dei praticamente por eles. E quando perguntei se o hotel está preparado para apagar os vestígios da sua passagem ("percalços" acontecem nas melhores famílias), a resposta foi firme: "claro que sim. Temos um sistema de limpeza que não deixa o menor vestígio, inclusive de odor se for o caso".

[Mais uma suite (foto de divulgação)]

Ufa! Afinal, ninguém (mesmo quem, como eu, adora bichos) quer chegar, abrir a porta do seu quarto e sentir a "presença" do seu antecessor. Mais ainda se for um antecessor de quatro patas, não é mesmo?

Reconstruído em estilo alpino, o La Sivolière, que já existia antes, ganhou a sua quinta estrela em 2010 e passou por uma remodelação recente que, mais do que  sacudir o pó e mudar as colchas e cortinas, mudou a sua filosofia.

[Pormenores do restaurante 1850, onde as flores são trocadas todas as sextas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Em 2009, o francês Pascal Chatron-Michaud, especializado em arquitetura de montanha, foi chamado a intervir na estrutura, de forma a torná-la mais conforme à tradição dos chalés da Sabóia. Tristan Auer, designer de interiores com provas dadas em outros hotéis como o Jules de Paris ou o Almyra de Chipre, foi o senhor que se seguiu, sendo responsável por uma decoração que, nas áreas públicas, combina elementos regionais como a madeira ou a pedra com toques mais contemporâneos por conta de peças como os tapetes da Diesel e Moroso, as luminárias de Frédérique Morrel ou o sofá em forma de montanha e catarata desenhado por Gaetano Pesce.

Nos quartos e suites, e faz sentido que assim seja, a tónica é mais alpina, com muita madeira e materiais quentes como o veludo e a lã. Tive a sorte de me calhar uma suite enorme, a número 40, que juntava a tudo isso uma sala com lareira, jacuzzi numa das casas-de-banho e uma varanda com vista primorosa para o bosque nevado. 

[A cozinha está a cargo do chef marroquino Bilal Amrani (fotos de divulgação)]

E ainda assim, mesmo com uma cama king size e lençóis de algodão egípcio, é provável que a primeira noite seja passado em claro... Acontece a muito boa gente e eu não fui exceção. Causas mais prováveis? A adaptação à alta atitude, a incapacidade (assumo) para regular o aquecimento central e... ahã... um jantar tardio com raclette, fondue e tartiflette (volto a dizer: o que é de gosto regala a vida; e acrescento: minimiza danos colaterais).

Comida é, aliás, um detalhe que não passa despercebido no La Sivolière. Já dei um ou outro lamiré a esse propósito em posts anteriores (ler aqui), mas volto à carga para falar do que me agradou mais.

[É na comida mais simples que a cozinha do hotel marca pontos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ótima seleção de pães, charcutaria (os salpicões e os salames são a minha perdição) e queijos no pequeno-almoço. Para começar bem o dia, antes de ir para as pistas, nada como uma primeira refeição robusta. Já no regresso ao hotel, ao final tarde, boa ideia a dos crepes (servidos como cortesia a quem está hospedado) e das várias opções para "picar" no cocktail lounge (substituem perfeitamente um jantar).

Mais do que da cozinha à la carte de Bilal Amrani, que não me surpreendeu, eu gostei foi mesmo das suas propostas mais simples, com base nos produtos de mercado, e do toque pessoal em receitas bem conhecidas como a Caesar Salad (a do La Sivolière é mais forte, por conta da mostarda de Dijon).

[As pistas logo à saída da porta (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Da oferta do hotel fazem ainda parte um pequeno centro de bem-estar (pode não impressionar em instalações, mas a equipa, comandada pelo osteopata Christopher Pirel, sabe o que faz; massagens desde €80) e, detalhe muito importante, uma loja de esqui.

Com acesso direto às pistas (ou não tivesse sido "Jeannot" Cattelin, antigo proprietário do La Sivolière, um dos mentores de Courchevel 1850), o hotel está equipado para não deixar faltar nada a quem vem, efetivamente, para tirar o máximo partido do domínio esquiável de Les 3 Vallées.

E são todas estas coisas, somadas ainda ao facto de haver alguns empregados de origem portuguesa e uma cada vez mais significativa clientela brasileira (os mais presentes são os franceses, seguidos dos russos, dos belgas e dos britânicos), que fazem a diferença do La Sivolière.

Rue des Chenus, Courchevel 1850, França, tel. +33 (0)479 080-833, diárias desde €665 em quarto superior para duas pessoas (tarifa válida até 29/04/2012). Pequeno-almoço não incluído (€35)
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