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10.4.12

#novidade: jordi roca, o benjamim do clã celler de can roca, a um passo de estrear a rocambolesc gelateria em girona

[Os famosos irmãos Roca, sendo que Jordi é o da esquerda (foto com direitos reservados)]

O facto de ser o mais novo dos irmãos Roca permite-lhe alguma irreverência, mas não tira a Jordi a enorme responsabilidade de ter, juntamente com Joan e Josep, o seu nome associado ao restaurante Celler de Can Roca, três estrelas Michelin no guia de 2012 (um peso-pesado na Catalunha, que tanto reclamou da falta de estrelas) e número dois a nível mundial segundo os prémios San Pellegrino de 2011 atribuídos pela revista "Restaurant" (logo veremos, a 30 de Abril, o que lhe reserva a sorte este ano).

[Esta imagem, qual amuse-bouche, já está no Facebook (foto com direitos reservados)]

Tal como eu, Jordi aderiu, não faz muito tempo, ao instagram e fê-lo mesmo a tempo de começar a partilhar, a conta-gotas, as primeiras imagens da mais recente extensão da marca Roca.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Com abertura prevista para depois da Semana Santa, nenhum dos irmãos se descose sobre a data exata da inauguração, mas graças aos "instantâneos" de Jordi, um pasteleiro de mão-cheia que chamou a si a supervisão do novo projeto, dá já para suspirar com o que vem por ai.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

E o que vem por ai, para começar, é um nome muito bem apanhado, a prestar-se ao trocadilho, que nem precisa de tradução ou maiores explicações.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]


[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Assim se chama a geladaria que, além de nome, possui endereço fixo na mesma Girona, a norte de Barcelona, onde fica também o Celler.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Dizer que todos os gelados ali produzidos e vendidos serão artesanais e 100% naturais sabe a muito pouco, convenhamos, tratando-se dos irmãos Roca. 

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Jordi já avisou para não esperarmos uma geladaria  tradicional. Equipados com máquinas que podem misturar até seis sabores, eles vão sobretudo apostar na criação de sobremesas servidas, isso sim, sob a forma de gelados e que, de uma maneira ou outra, farão referência às receitas e fórmulas do Celler.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Sabe-se, porque Jordi já o confessou a um jornal, que um dos gelados será uma combinação de requeijão de ovelha (a versão catalã é bem mais cremosa do que a ricota), molho de goiaba, doce de leite e nuvem de açúcar, mas o propósito é que tudo o que for ali vendido seja obtido a partir de produtos locais, que tenha um preço ajustado e que possa, inclusive, ser levado para casa ou saboreado na rua.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Nada foi descurado, tanto que as embalagens, desenhadas por Andreu Carulla, foram pensadas para nos recordar a infância e para que, ainda segundo Jordi, tenhamos vontade de as transportar connosco.

[©jordi roca, todos os direitos reservados]

Jogada subliminar ou não — a decoração da loja foi entregue a Sandra Tarruella, que, consta, ter-se-á inspirado no universo de Willy Wonka e a fábrica de chocolate — , o facto é que esta Rocambolesc poderá vir a ter, em Espanha e não só, outras réplicas. E alguém duvida que vai ter fila na porta para provar as novas guloseimas dos irmãos Roca? 

[Os últimos retoques na fachada (©jordi roca, todos os direitos reservados)]

Neste caso nem é preciso ver para crer, mas, enquanto, Rocambolesc não abre, resta-nos, além das fotos, matar o desejo e a curiosidade com este teaser:


C/ de Santa Clara, 50, Girona, Espanha

7.12.11

#livro: é como ter ferran adrià, o chef mais conhecido do mundo, a ensinar-nos o bê-a-bá da cozinha

[foto de divulgação]
Não, por esta altura está longe de ser um segredo, mas não há dúvida de que o homem sabe gerir, como poucos, os raros momentos de silêncio em torno da sua persona pública. Passaram pouco mais de quatro meses desde o fecho do elBulli e, ainda assim, quase nunca se deixou de falar de Ferran Adrià desde então.

Não é para quem quer; é para quem pode. E sabe.


Como num passe de mágica, o chef catalão estalou os dedos e, voilà, mais um livro nos escaparates a dar brado pelas razões certas.


A bem da verdade, "The Family Meal" (384 págs., Phaidon), assim se chama o livro, já saiu há algum tempo, mas a tão aguardada versão em espanhol foi apenas lançada em finais de Novembro ("La Comida de la Familia", RBA).

Chegou-me às mãos dias atrás e, devo dizer, estou fascinado com o raio do livro.

Quando julgamos que Adrià já esgotou o baralho, eis que, numa jogada de mestre, saca de mais um ás.

[A "grande família" do elBulli à mesa, horas antes da abertura do restaurante (foto de divulgação)]

Esqueçam a cozinha complicada praticada no elBulli. Adrià reuniu a "grande família" do elBulli mas não foi para falar de espumas, ares e esferificações. 

Não?

Claro que não. Aquilo que eles serviam no elBulli, eles provaram antes, na altura de testar até à exaustão cada receita. Depois, no dia a dia, eles queriam mesmo era comida caseira e muito mais despretensiosa (por exemplo, no livro conta-se que a equipa repetia sobretudo os pratos de pasta fresca e não dispensava arroz, não importa a maneira).

[Dupla página do livro "The Family Meal" (foto de divulgação)]

E é dela, da comida caseira, que este livro fala. Fala e mostra, pois cada receita, por mais simples que seja, é ilustrada e explicada tintim por tintim, para que não fique nenhuma dúvida.

Nada pior do que um livro de cozinha cujas receitas são impraticáveis ou que, no pior dos cenários, dão a impressão de não terem sido testadas por quem as assina. Estas tanto estão pensadas para uma família de 2 a 6 pessoas como para funcionarem em grupos maiores, de 20 a 75 pessoas.

[Dupla página do livro "The Family Meal" (foto de divulgação)]

Um dos grandes trunfos deste livro é a sua acessibilidade; outro é a sua alta taxa de exequibilidade. Sério! Até um cozinheiro menos experiente vai conseguir dar conta do recado em boa parte do que é sugerido.

O livro começa por ensinar coisas tão "básicas" como cozer ou fritar um ovo, passando depois às receitas propriamente ditas. Primeiro vêm os essenciais como os vários tipos de molhos e caldos. Só depois passamos a 31 menus diferentes (cada um deles é dividido em três: entrada, prato principal e sobremesa), que podem incluir cheeseburgers, carne à bolonhesa, polenta, ossobuco, ovos com espargos, maçãs assadas, trufas de chocolate, crema catalana e por ai vai, mas sempre com o cuidado de não exceder os cerca de €4 por refeição.

Tudo extremamente "praticável", o que o torna num manual de consulta diária. Não é para ter na sala a ganhar pó, é mesmo para ter na cozinha e à mão.

[O "masterplan" do que virá a ser a elBulli Foundation (foto de divulgação)]

Antes de terminar, não resisto a partilhar aqui umas imagens que a Phaidon, a editora do livro, "liberou" faz um tempinho e que se destinam a desvendar um pouco do que poderá vir a ser a elBulli Foundation, com abertura prevista para o Verão de 2014 se tudo correr como previsto.


A fundação, destinada a ser um pólo futurista onde se vai pensar livremente a gastronomia dos anos vindouros, ficará no lugar do extinto restaurante, na costa catalã (Cala Montjol, Roses), mas vai assumir, graças ao plano do arquiteto Enric Ruiz-Geli da Cloud 9, formas orgânicas que lembram as rochas, a fauna e a flora envolventes. As fontes de energia serão, como era de esperar, renováveis.


Na verdade, ao ver estas primeiras projeções em 3D, a sensação que fica é a de estarmos perante várias nuvens,  repletas de superfícies espelhadas, pontos de luz natural e paredes vegetais, com uma forte componente lúdica (fala-se de uma varanda, por exemplo, que se chamará "Ninho" e será feita de penas de aves do Cap de Creus) e high-tech (toda a área terá cobertura wi-fi assegurada pela operadora espanhola Telefonica).

22.7.11

#hotéis: três opções em espanha muito além do óbvio

[Hotel Aire de Bardenas (acima, foto de divulgação) e La Posada de Babel (abaixo, foto de divulgação)]

Graças a um artigo que tive de fazer para a edição de aniversário da revista Evasões (14 anos, celebrados em Junho!), pude descobrir, entre outras coisas, três hotéis fantásticos que — assumo a minha ignorância — desconhecia por completo.

O erro é tão grave quando, bem vistas as coisas, todos ficam em Espanha — ou seja, não tão longe quanto isso — e em regiões que adoro: Astúrias, País Basco e Aragão. 

São ideais para uma escapada, que pode até ser curta, mas não precisa ser óbvia.

[Panorâmica da Posada de Babel (foto de divulgação)]

ASTÚRIAS
Um pequeno hotel rural instalado numa quinta, nos arredores de Llanes, que desfruta da proximidade da sierra del Cuera, da costa asturiana e até mesma da estância de San Vicente de la Barquera. O bucolismo envolvente, propício a passeios ou à simples contemplação, encontra um reflexo na decoração interior, mas só até certo ponto, pois há também aqui uma preocupação em ser contemporâneo. Quando o tempo permite, o pequeno-almoço é servido ao ar livre, no terraço, com vista para o jardim, mas o hotel dispõe de uma agradável biblioteca com lareira. Já os 10 quartos e três suites repartem-se pela casa principal, um torreão restaurado, um pavilhão de teca em forma de cubo e um pavilhão apelidado de “suite del jardín”.

[Um dos quartos da Babel (foto de divulgação)]

La Pereda, s/n, Llanes, Espanha, tel. +34 985 402 525

[Aire de Bardenas em toda a sua singularidade (foto de divulgação)]
[Uma das casas do Aire de Bardenas (foto de divulgação)]

Aragão
É um dos hotéis mais fotografados do mundo, com prémios de arquitectura no palmarés, e não é caso para menos. Imagine um campo de trigo onde, surgidos do nada, aparecem poisados vários volumes cúbicos e rectangulares brancos. E tudo isto junto ao Parque Natural de las Bardenas Reales de Navarra, a meros três quilómetros do centro histórico de Tudela. Existem quatro tipos de alojamento, que variam na forma e também na vista (os mais luxuosos possuem até banheira no pátio exterior privado). O design interior é totalmente contemporâneo, existindo ainda, como áreas comuns, dois restaurantes.

[O restaurante e o bar do Aire de Bardenas (foto de divulgação)]

Ctra. de Ejea, km. 1,5, Tudela, Espanha, tel. +34 948 116 666

[O Viura no seu elemento natural (foto de divulgação)]
[Primeiro estranha-se, depois adora-se ou não, mas nunca se fica indiferente (foto de divulgação)]



País Basco
Numa região famosa pelas suas vinhas e vinhos, a Rioja Alavesa, este hotel causa um forte um impacto para quem é apanhado desprevenido. Isto porque a sua arquitectura é, no mínimo, peculiar, pois, visto de fora, dá ideia que das entranhas da terra brotaram vários cubos sobrepostos, de diferentes cores e com grandes janelas. Além de um restaurante, bar e ginásio, o Viura reservou para o último piso terraços ajardinados que permitem admirar o casario e as igrejas antigas de Villabuena. Os quartos, modernos e bem apetrechados tecnologicamente como seria de esperar, são 33, sendo quatro deles suites.

[O Viura faz uma ruptura, mas também integra a paisagem ao redor (foto de divulgação)]
[Design, arrojo e factor surpresa, eis alguns dos ingredientes do Viura (foto de divulgação)]

Calle Mayor s/n, Villabuena de Álava, Espanha, tel. +34 945 609 000

5.7.11

#directo de madrid: arregalar os olhos com as guloseimas de oriol balaguer


[Oriol Balaguer, natural da Catalunha, trabalhou com Adrià antes de se estabelecer por conta própria e abrir a sua loja em Madrid, abaixo (fotos com direitos reservados)]



Mesmo em tempo de crise, Madrid continua a ser um destino muito apetecível para se deixar tentar. 

Pelo óbvio e não só. 

Na Ortega y Gasset, uma das artérias mais caras a seguir à Serrano e à Goya, a loja madrilena do catalão Oriol Balaguer — chefe-pasteleiro treinado no elBulli de Ferran Adrià, que, após colaborar com restaurantes, decidiu arriscar e estabelecer-se por conta própria — mantém-se low profile, mas só passa por ela sem a ver quem anda muito distraído. 

[A loja de Madrid não é uma chocolateria ou pastelaria convencional (foto com direitos reservados)]

À entrada, não sabemos se estamos num stand de ponta ou numa joalharia futurista, mas à saída a sensação é de ter aprendido que, às vezes, chocolate e bolos são mais, muito mais, do que apenas chocolates e bolos. São, no caso de Balaguer, obras de arte com embalagens, e preços, à altura —além das barras de chocolate, produzidas a partir de grãos de cacau Grand Cru, há também vários tipos de biscoitos, bolas (laranja, limão, avelãs, nozes...) cobertas de chocolate de leite ou de chocolate negro, bombons, macarons e pastelaria de autor.

[Os bolos são dispostos, e iluminados, como peças de arte (foto com direitos reservados)]

Nesta última visita, porém, descobri a sua Classic Line, muito mais abordável (em termos de preços) e destinada ao dia-a-dia. Balaguer quis recuperar da sua infância os sabores mais simples e os rituais mais básicos como a ida à rua para comprar o pão acabado de sair do forno.

[O design da loja madrilena acompanha a sofisticação das criações de Balaguer (foto com direitos reservados)]

Bons ingredientes, fermentação lenta e artesanais. São assim os pães, croissants, pains au chocolat e mais duas ou três variedades que podemos comprar, mandar embrulhar e levar para casa. No meu caso, o croissant e o pain au chocolat, estaladiços, duraram pouco, já que não resisti a devorá-los ali mesmo, enquanto passeava pela Ortega y Gasset.

[Porque os olhos também comem (foto com direitos reservados)]

C/ José Ortega y Gasset, 44, Madrid/Espanha, tel. +34 91 401 6463

4.7.11

#directo de madrid: brunch de fim-de-semana em malasaña


[Manuela Malasaña num pacato sábado em início de tarde (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Quem parou nos primeiros filmes de Almodóvar talvez julgue ser fácil encontrar em Madrid as mesmas ruas canalhas, os mesmos bares esconsos e as mesmas cenas de faca e alguidar que ajudaram a colorir a porção mais rasteira da movida madrilena. 

[Esquina da Manuela Malasaña com a Ruiz vista do Nina (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Acontece que o auge da movida se deu na década de 1970, no então decadente bairro de Malasaña, animado por um “vale tudo” que permitiu trazer à tona uma nova iconoplastia popular, assumidamente kitsch, assumidamente folclórica, com Almodóvar e companhia (Rossy de Palma, por exemplo, tinha uma banda na época, os Peor Imposible) na proa.

[O interior industrial-chic do Nina (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Desses loucos tempos restam bares como o La Vía Láctea (C/ Velarde, 18), mas Malasaña, muito ligado à vida universitária, é hoje, sobretudo durante um dia, um bairro familiar que gravita em torno da praça Dos de Mayo (esta, à noite, verdade seja dita, converte-se num bar alternativo a céu aberto) e de ruas como Manuela Malasaña, que junta no mesmo passeio vários restaurantes, bares e até um teatro.

[O brunch começa com um sumo natural de fruta à escolha, cesta de pães, compotas, queijo-creme, paté, dois tipos de manteiga e compotas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

De todos, o meu preferido é o Nina. Descobri-o, há coisa de dois anos, quando andava a passear por aqui e, já perto da hora de jantar, me deixei encantar pelos seus pendentes luminosos nas grandes janelas que dão para a rua.

[Ao que se junta o café, como se quiser, e o iogurte natural ou de frutas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Só depois dessa noite, que se revelou uma escolha mais do que certeira (pelo custo/benefício, pelo bom ambiente e comida saborosa), vim a ler sobre o Nina e constatei tratar-se de um valor seguro do bairro.

[Como prato à escolha, ovos Benedict (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Desta vez, aproveitei que serve um brunch aos fins-de-semana e feriados, entre as 12.00 e as 17.30, para fazer render a preguiça do meu sábado por aqueles lados. As duas salas do restaurante, separadas pelo bar, são amplas e luminosas, com uma decoração industrial-chic (tijolos nas paredes, canos à vista, vigas de ferro...), toalhas de pano nas mesas e uma clientela familiar. Há sempre mais madrilenos do que turistas.

[no final, quando julgamos não sobrar espaço para mais nada, ainda vêm os doces (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O brunch, que sai por €21,90/pessoa (mas não pedem um cêntimo a mais por repetir o sumo ou pedir outro café), não tem nada de muito extraordinário ou fora do comum, mas é farto, dispõe bem e vale o que custa. Cesta de pães, sumo natural, café como se quiser, dois tipos de manteiga, queijo-creme e paté, iogurtes, selecção de pastelaria e um prato à escolha. Elegi os ovos Benedict, que até não estavam um delírio, mas confirmei que, decididamente, o Nina é, para mim, um porto seguro em Madrid.

C/ Manuela Malasaña, 10, Madrid/Espanha, tel. +34 91 591 0046, todos os dias, brunch as sáb., dom. e feriados, entre as 12.00 e as 17.30

1.7.11

#directo de madrid: san miguel ou san antón?


[San Miguel, o primeiro a lançar a moda dos mercados gourmets em Madrid (acima: foto com direitos reservados; abaixo: ©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Colada à Plaza Mayor há uma outra menor, daquelas onde não se ia a menos que se fosse do bairro, mas eis que o Mercado de San Miguel, a pérola mais cantada das atracções recentes de Madrid, alterou a rotina de quem vive e de quem está de passagem na cidade.

San Miguel, re-inaugurado alguns anos atrás, não é segredo para mais ninguém e neste meio-tempo tornou-se, por mérito próprio, no templo gourmet que atende as preces de todos aqueles que querem petiscar, ou picar, em grande estilo.

[Não se anime com esta imagem do mercado, pois é quase impossível encontrar o San Miguel com tão pouca gente (foto com direitos reservados)]

Da primeira vez que ali fui, no arranque, fiquei logo freguês, mas já então me perguntava como teria sido antes da remodelação e até que ponto os seus clientes mais antigos estariam ou não contentes com a actual fórmula, que o converteu num mercado fino. 

[O Mercado de San Miguel (©PSR/Rotas, todos os direitos reservados)]

A verdade é que, numa era de hiper e supermercados, San Miguel, inaugurado em 1916, escapou por um triz de ser demolido graças à iniciativa privada. Como mercado municipal não teria sobrevivido. Tão simples quanto isso.

[O Mercado de San Miguel (©PSR/Rotas, todos os direitos reservados)]

Depois de seis anos de obras, o mercado reabriu, não mais como um lugar destinado às classes populares – porque não é barato –, mas como um destino de eleição para os gourmets e amantes das coisas boas e bonitas. Toda a estrutura em ferro foi mantida, bem como as bancas em madeira, mas aprimorou-se o conceito, de forma a que se possa agora degustar localmente vários tipos de tapas, de queijos, enchidos ou até mesmo ostras frescas à unidade, vinhos e espumantes a copo.

[Um dos pratos, com mexilhões, polvo e pimentos, que provei no Mercado de San Miguel (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A prática de comprar e levar para casa mantém-se, é certo, mas San Miguel funciona mais como um ponto de encontro, ou melhor, um espaço de convívio onde apetece estar e onde condescendemos em pagar pelo privilégio de, se preciso for, escolher o peixe ou o naco de carne que se deseja para o mandar confeccionar ali mesmo.

Se no início o mercado já vivia lotado, nesta minha segunda, e mais recente, incursão, constatei que duplicou ou triplicou o número de clientes e curiosos. Os locais continuam muito presentes, mas são cada vez mais os estrangeiros. Arranjar uma vaga ao balcão é complicado; um lugar sentado, então, é ainda mais difícil (mas não impossível), mas, é tudo uma questão de entrar no espírito e de apreciar a ideia de pedir uns pintxos (são tapas montadas sobre pão) ali, umas croquetas acolá (comi umas deliciosas, de camarão, espinafres e choco), um prato de jamón aqui, um copo de Rioja acolá... e por ai vai.

[A entrada do Mercado de San Antón, em Chueca (foto com direitos reservados)]

Mas, San Miguel tem, desde Maio, um novo rival. E, detalhe, um rival que ainda não caiu em todos os guias da cidade, logo para aproveitar enquanto isso não acontece. O que não deve demorar muito. Corra.

[Parece um centro comercial, mas San Antón é um mercado gourmet (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

No bairro de Chueca, entre as ruas Barbieri e Augusto Figueroa, o San Antón passou por quatro anos de obras e, à semelhança de San Miguel, reabre como mercado gourmet.

[A Frutería de Hilario, em San Antón (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Ao todo são 750 metros quadrados, repartidos por três andares ligados por escadas rolantes. Como estrutura é menos charmoso do que San Miguel, e parece-se mais a um shopping center, mas o ambiente é óptimo e a oferta também.

[O terraço do restaurante, no terceiro piso de San Antón (foto com direitos reservados)]

Nos primeiros dois pisos ficam os produtos frescos, da fruta ao peixe e marisco, passando pelas carnes e enchidos, mas agradou-me — muito —  a ideia de poder comer japonês, italiano, grego, além de ter à disposição barras tipicamente espanholas.

No terceiro piso fica um restaurante, La Mesa del Mercado, de cozinha contemporânea espanhola e bons cocktails, que, juntamente com um terraço, ocupa uma área de 400 metros quadrados. No sótão, não confirmei, mas dizem que fica o parque de estacionamento e um supermercado da rede Supercor.
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