Mostrar mensagens com a etiqueta Neve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Neve. Mostrar todas as mensagens

2.2.12

#direto de courchevel: banhos de sol, vista de águia e pré/durante/pós-esqui a 2732 metros de altitude


[Vista do pico La Saulire, a 2738 metros de altitude (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Previsão meteorológica para o dia: céu limpo, sol radioso e uma temperatura abaixo dos 10º C negativos.

[Entre os vários meios mecânicos de Courchevel, as cadeiras são muito práticas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Em Courchevel, as pistas abrem às nove, mas, muito antes da hora marcada, é já grande o frenesi de todos aqueles que não querem perder mais uma (boa) jornada nas montanhas.

[Um programa para todas as idades (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A mais mundana, e cara, de todas as estâncias dos Alpes franceses estruturou-se para agradar a gregos e a troianos. Isso não quer dizer que o consiga. Quer dizer que possui ingredientes para o fazer. O que é diferente.

[Os chalés de estilo alpino (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Quem vem pela festa, e pelas compras, e pelos spas, e pelos hotéis-chalé ou pelos restaurantes estrelados, tem muito com que se entreter. Aliás, é tanta distração que, se não tivermos cuidado, podemos até perder a hora na manhã seguinte...

[L'Aventure, um dos muitos restaurantes de Courchevel 1850 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Quem acha fora de contexto a presença da Chanel, do Valentino ou da Cartier — só para citar algumas das marcas de luxo mais óbvias de La Croisette, a área comercial nobre de Courchevel —, terá, porventura, razões de sobra para concluir que esta não é "a sua praia", ou melhor, "a sua estância".


[Esculturas nas ruas e lojas como a da Chanel fazem parte dos atrativos de Courchevel 1850 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Mas não confundamos as coisas.


[O comércio rico de La Croisette (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Para lá dos russos novo-ricos que bebem champanhe como quem bebe água em endereços da moda como Le Mangeoire, das peles verdadeiras que se desfilam, dentro e fora de portas, sem peso na consciência e das suites e chalés que custam uma pequena fortuna à semana, há, acreditem no que vos conto, uma Courchevel com adrenalina e focada no básico.

[As vitrinas-tentação de Courchevel 1850 (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

É que mesmo não sendo tão desportiva como Val Thorens ou Tignes, Courchevel está longe de ser uma "florzinha de estufa" e integra Les 3 Vallées, que é só, para que conste, o maior domínio esquiável do mundo com enorme variedade de pistas (do iniciado ao "pro") e uma senhora dona infra-estrutura — Ecole du Ski Français e meios mecânicos de última geração incluídos no pacote — digna de respeito.


[Os melhores hotéis e chalés de Courchevel dão diretamente para as pistas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

E neve. Muita e boa neve, com uma consistência próxima ao pó de talco, que é sempre um fator a não subestimar. A temporada de 2011-12 tem-se revelado bastante generosa neste quesito e, a manter-se, prevê-se até que continue a haver neve nos picos mais altos durante o próximo Verão.

[A vista do Family Park, com tapetes rolantes grátis (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Não que isso faça muito diferença. Courchevel, como as demais estâncias, vive de e para o Inverno. No resto do ano, apenas permanece aqui um núcleo duro de duas mil almas, número que ascende vertiginosamente a cerca de 40 mil pessoas durante a época alta. Se contarmos com os visitantes, a soma final aponta para uma média invejável de um milhão e meio por temporada.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados]

Nada mau.

[Le Panoramic, a 2732 metros de altitude (foto de divulgação)]

Entre as várias opções de lazer disponíveis, gosto particularmente dos restaurantes de montanha. Instalados nos píncaros, eles são uma espécie de porto seguro, no meio de quase nada, ideais para uma pausa num dia de intensa atividade nas pistas e/ou para fazer a festa quando as mesmas encerram.


[O terraço do restaurante de montanha Le Cap Horn, a 2100 metros de altitude (foto de divulgação)]


Existem outros como Le Cap Horn, mas Le Panoramic, de Eric Durandard, é uma referência incontornável pela localização, a 2732 metros de altitude, em La Saulire.


[O teleférico e as pistas de La Saulire (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Acessível por teleférico, mesmo para quem não esquia ou faz snowboard (ou faz, como eu, mas não é suficientemente afoito para se aventurar a tanto), Le Panoramic proporciona dos seus terraços e janelas uma visão de águia sobre vales e montanhas.


[O terraço de Le Panoramic (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Por fora e, sobretudo, por dentro, Le Panoramic recria em diferentes ambientes aquilo que se espera encontrar num refúgio alpino de charme: madeira, peles fofas, lareiras acesas e velharias, nalguns casos utilitárias, noutros só para o puro prazer de quem olha e quer recordar o que não viveu.


[Uma das salas de Le Panoramic (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


A par da restauração, Le Panoramic possui agora um outro atrativo de peso: a mais alta suite da Europa, disponível para quem se dispuser a pagar o preço de tamanho privilégio. Mas, como quem avisa amigo é, vale a pena acrescentar a seguinte nota de rodapé: em caso de tempestade muito forte (como aconteceu no começo deste ano), são grandes as chances de se ficar ilhado...


[A sala de refeições no andar de cima (foto de divulgação)]


A suite não experimentei, mas fiz ali um almoço muito agradável.


[O meu almoço em Le Panoramic, com verduras, queijos locais como o Beaufort (na salada) e o Reblochon (tartiflette), pães e doce (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


A cozinha, seja nos menus do dia (€28) ou à la carte, é honesta e privilegia as especialidades locais. Não é alta gastronomia, mas é gastronomia nas alturas, o que acaba por justificar os preços  algo inflacionados. 


[A tarte de frutos vermelhos no bufete de sobremesas (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]


Ao fim e ao cabo, há toda uma logística complicada para estar ali e isso, para quem usufrui da vista e do ambiente, tem de ser levado em conta, não é mesmo?

1.2.12

#direto de courchevel: a cozinha de mercado, com tónica bio, de bilal amrani no hotel la sivolière

[O restaurante 1850, do hotel La Sivolière, dá diretamente para as pistas (foto de divulgação)]

Desde segunda-feira, dia 30, estou em Courchevel, na região alpina da Sabóia, França, não muito longe da fronteira com a Suíça.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Quem segue de perto este blog através da sua página no Facebook talvez já se tenha dado conta do facto. Aliás, ainda ontem postava por lá uma foto, à laia de teaser, e logo alguém me perguntava se a foto em causa (tirada a partir de uma das varandas do cinco estrelas La Sivolière, já agora) tinha sido tirada por mim...

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Não que a foto (acima) fosse excecional, mas o seu tom sépia e a legenda "Courchevel 1850" levaram alguns à certa.

Pois não fiz uma viagem no tempo. Acontece que esta popular estância dos Alpes franceses foi construída em diferentes níveis, pelo que me encontro no ponto culminante de um vale, rodeado de pistas, a 1850 metros.

[A lareira acesa dá outro aconchego ao restaurante (foto de divulgação)]

Tão simples quanto isso para uma primeira explicação.

De Courchevel e do charmoso La Sivolière, em que estou hospedado, muito mais há para dizer e mostrar; hoje, não me levem a mal, vou apenas partilhar o meu almoço de ontem no restaurante do hotel, o 1850 precisamente, onde me foi dada a oportunidade de degustar a carta do dia, executada pelo chef magrebino Bilal Amrani.

[O chef magrebino Bilal Amrani (foto de divulgação)]

Os excessos da noite anterior — num jantar tipicamente regional de boa memória que incluiu racletes, fondue, tartiflette e ainda uma tábua da bela charcutaria local — pedia, em sã consciência, uma trégua.

Sem maiores pretensões, foi isso mesmo que Bilal fez. Ao melhor estilo cozinha de mercado, nessa mesma manhã Bilal foi ao seu fornecedor habitual de peixe, o Michel, que lhe arranjou umas conquilhas de Saint-Jacques muito frescas, e trouxe ainda vários legumes e frutas.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Exceção feita ao pão, irresistível de tão guloso, e à boa manteiga Echiré (produzida diariamente por uma cooperativa afamada), quase nada do que ali foi servido comprometeu o nobre propósito de comer de forma mais ligeira e saudável; nem mesmo o vinho eleito, um rosé Château Margüi 201o, proveniente da Provença, de produção biológica.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Interessante o vinho.

Como entrada, uma salada de legumes crocantes, temperada com um azeite levemente cítrico do senhor Pensato.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

De seguida, vieram então as conquilhas gratinadas, acompanhadas por um fondue de alho francês com trufa negra. Não senti muito a trufa, mas ainda assim um prato intenso q.b.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Como sobremesa, um prato de frutas laminadas com um sorvete de limão e génépi, um licor muito parecido ao absinto, produzido a partir da maceração de uma planta com o mesmo nome (da família da artemísia) que se dá nesta região montanhosa.

[©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O melhor de tudo, porém, é que, após repasto tão ecologicamente correto, nem foi preciso fazer vista grossa ao que se passava lá fora. Pelas janelas do restaurante, emolduradas por bucólicos pinheiros saraivados de um branco glacial, as pistas de esqui não pesavam na barriga e chamavam por nós.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...