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8.8.11

#directo do porto: éclair de chocolate, o da leitaria ou da boulangerie?

[A Torre Eiffel não engana: a Boulangerie de Paris é de inspiração francesa; aqui no endereço da Boavista (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)
Os éclairs do Porto têm fama.

Ou, por outra, os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço criaram fama, ganharam adeptos e fizeram história. Mas, já não estão sozinhos e disputam agora as preferências com os da Boulangerie de Paris.

[A Leitaria Quinta do Paço, de 1920, reabriu há uns anos e têm serviço de esplanada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Os primeiros, eu conheço e não é de hoje. Desde que a Leitaria reabriu há uns anos — há quem diga que perdeu a antiga allure de café-confeitaria e que o serviço, por vezes, não é lá essas coisas —, e sempre que vou ao Porto, com muito ou pouco tempo, arranjo maneira de passar na praça Guilherme Gomes Fernandes.

[O éclair de chocolate, com cobertura semi-amarga e recheio de chantilly, da Leitaria Quinta do Paço (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

E vou, assumo, por uma única razão: os deliciosos éclairs de chocolate. O que têm de especial? Uma cobertura semi-amarga, que faz um afortunado contraste com o recheio de chantilly fresco, a €1 a unidade.

Mais recente na cidade, mas já com inúmeros seguidores, a Boulangerie de Paris era, até esta minha última passagem pelo Porto, uma novidade absoluta para mim. Com três endereços à escolha — Boavista, Baixa e Foz —, acabei por escolher a primeira loja, na rua Gonçalo Sampaio, não muito longe da Casa da Música e da praça de Mousinho de Albuquerque.

[A Boulangerie de Paris da Boavista (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Até onde apurei, o conceito foi trazido por dois casais de franceses, os Bordelle e os Label, que, animados pelos relatos de amigos portugueses imigrados em França, arriscaram-se a abrir um negócio na Invicta (e fala-se que Lisboa está na mira).

A loja da Boavista fica numa arcada comercial e é ampla o suficiente para abrigar um salão e uma área de serviço, com  enormes balcões, onde os ex-líbris da casa — os éclairs, claro, mas também os macarons, os financiers, os croissants ou as religieuses, para citar os óbvios — ficam expostos de forma a que os olhos também comam. 

[O éclair de chocolate da Boulangerie de Paris, com recheio de mousse (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Fui directo ao ponto desta visita e pedi o meu éclair de chocolate para o devido tira-teimas. Não notei grande diferença na massa, mas tanto a cobertura como o recheio diferem bastante do exemplar da Leitaria. A primeira tem um sabor menos intenso, quiçá para contra-balançar o gosto mais pronunciado do segundo, que em lugar de chantilly opta antes pela mousse.

Interessante, mas, ainda assim, prefiro a combinação do éclair de chocolate da Leitaria da Quinta do Paço. Acho-a mais fresca, mas, reconheço, é pessoal. Na dúvida, prove os dois. Melhor, prove também os outros sabores e eleja o seu predilecto. 

Leitaria Quinta do Paço | Pç. Guilherme Gomes Fernandes, 49, tel. 222 004 303, todos os dias
Boulangerie de Paris (vários endereços, todos os dias)

5.7.11

#directo de madrid: arregalar os olhos com as guloseimas de oriol balaguer


[Oriol Balaguer, natural da Catalunha, trabalhou com Adrià antes de se estabelecer por conta própria e abrir a sua loja em Madrid, abaixo (fotos com direitos reservados)]



Mesmo em tempo de crise, Madrid continua a ser um destino muito apetecível para se deixar tentar. 

Pelo óbvio e não só. 

Na Ortega y Gasset, uma das artérias mais caras a seguir à Serrano e à Goya, a loja madrilena do catalão Oriol Balaguer — chefe-pasteleiro treinado no elBulli de Ferran Adrià, que, após colaborar com restaurantes, decidiu arriscar e estabelecer-se por conta própria — mantém-se low profile, mas só passa por ela sem a ver quem anda muito distraído. 

[A loja de Madrid não é uma chocolateria ou pastelaria convencional (foto com direitos reservados)]

À entrada, não sabemos se estamos num stand de ponta ou numa joalharia futurista, mas à saída a sensação é de ter aprendido que, às vezes, chocolate e bolos são mais, muito mais, do que apenas chocolates e bolos. São, no caso de Balaguer, obras de arte com embalagens, e preços, à altura —além das barras de chocolate, produzidas a partir de grãos de cacau Grand Cru, há também vários tipos de biscoitos, bolas (laranja, limão, avelãs, nozes...) cobertas de chocolate de leite ou de chocolate negro, bombons, macarons e pastelaria de autor.

[Os bolos são dispostos, e iluminados, como peças de arte (foto com direitos reservados)]

Nesta última visita, porém, descobri a sua Classic Line, muito mais abordável (em termos de preços) e destinada ao dia-a-dia. Balaguer quis recuperar da sua infância os sabores mais simples e os rituais mais básicos como a ida à rua para comprar o pão acabado de sair do forno.

[O design da loja madrilena acompanha a sofisticação das criações de Balaguer (foto com direitos reservados)]

Bons ingredientes, fermentação lenta e artesanais. São assim os pães, croissants, pains au chocolat e mais duas ou três variedades que podemos comprar, mandar embrulhar e levar para casa. No meu caso, o croissant e o pain au chocolat, estaladiços, duraram pouco, já que não resisti a devorá-los ali mesmo, enquanto passeava pela Ortega y Gasset.

[Porque os olhos também comem (foto com direitos reservados)]

C/ José Ortega y Gasset, 44, Madrid/Espanha, tel. +34 91 401 6463

29.6.11

#directo de madrid: desayunar na pain quotidien da fuencarral

[A Pain Quotidien da Fuencarral (©joão miguel simões, todos os direitos reservados) é mais do que uma padaria e pastelaria (foto de divulgação)]

Não é, faz tempo, uma novidade; foi mesmo a primeira casa da rede belga a abrir as portas, mas é a geografia afectiva — e quem me lê com alguma regularidade sabe que eu gosto deste conceito — que me leva a partilhar um endereço a que sempre volto quando estou por Madrid.

Dias atrás, descobri que já existe uma segunda Pain Quotidien na coquette Calle Serrano, que se livrou de vez (até à próxima) das obras, mas, confesso, eu sou mais a Pain Quotidien da Fuencarral, numa das esquinas mais movimentadas do bairro louco de Chueca.

[A cafetaria fica numa sala à parte da loja de atendimento ao público (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

O conceito mistura pastelaria, padaria, loja gourmet e café, o que não é nada de mais, eu sei. Mas tem assunto (e argumentos) para ser um perfeito porto seguro ao longo da jornada — pois além da enorme variedade de pães e bolos de fabrico próprio, possui fórmulas práticas, saudáveis e descomplicadas para um almoço ou jantar relaxados. Ainda assim, o que eu gosto mesmo é de tomar aqui o pequeno-almoço, já fora de horas, coisa que a maioria dos hotéis — até mesmo em Madrid, onde teimam sempre em comer mais tarde do que no resto do mundo — não permite.

[A Pain Quotidien também serve almoços e jantares (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

A cadeia Pain Quotidien foi fundada pelo chef Alain Coumont, que no início só queria produzir pão rústico e de boa qualidade para servir no seu restaurante, mas depressa não só alargou o conceito, como o exportou. Em Espanha, como noutros países, com muito bons resultados, diga-se

[A madeira usada foi toda recuperada para fazer jus à proposta ecológica do lugar (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

No endereço da Fuencarral, agrada-me a profusão de madeira — do soalho, ao balcão, às mesas, às cadeiras... —, o que lhe dá um ar aconchegante, o tom moderado das conversas (ao contrário de outros cafés espanhóis, aqui não se fala vários decibéis acima do socialmente aceitável), as revistas à disposição quando me esqueço de levar as minhas, as ardósias com as ementas do dia escritas giz, o serviço eficaz (já li algumas queixas a este respeito, mas eu não tenho do que reclamar) e a possibilidade de ficar no meu canto, tranquilo, se for isso que me apeteça naquele momento.

[O meu último desayuno por ali (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Há também uma preocupação ecológica que me agrada, porque é exercida sem estardalhaço e não é só para inglês ver. A madeira dos móveis é recuperada, as lâmpadas de baixo consumo energético, o papel é reciclado, aboliu-se o uso da farinha e trabalham, sempre que possível, com produtos e produtores orgânicos. 

[Scone de aveia integral, muito bom! (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

Como cafetaria não é das mais baratas, mas, dentro da sua proposta, também não cobra nada por ai além do razoável —pelo meu último desayuno, com café cortado doble (uma grande taça de café com leite, a nossa meia-de-leite), iogurte biológico de frutos vermelhos e um scone de aveia integral com compota e queijo fresco, paguei cerca de €10.

[Iogurte biológico de frutos vermelhos (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)]

E tem uma boa variedade de opções, pois há sempre sumos naturais, tortas doces, quiches salgadas, croissants, umas deliciosas rabanadas de pão de trigo que podem levar um pouco de tudo por cima (presunto, ovos, queijo brie, salada de frango de caril, roast beef....), granola... Para mim, chega e sobra.

Calle Fuencarral, 95, Chueca, Madrid/Espanha, tel. +34 91 593 0939, de seg. a qui., entre as 08.00 e as 00.00; às sex., entre as 08.00 e a 01.00; aos sáb., entre as 09.00 e a 01.00; aos dom., entre as 09.00 e as 00.00
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