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12.4.12

#gente em destaque: as escolhas de carlos braz lopes em nova iorque a pretexto de "o melhor livro de chocolate do mundo" e do bolo com que tudo começou


[Carlos Braz Lopes, o autor de O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, fotografado para o seu primeiro livro (©ana paula carvalho)]


Talvez não se associe, de imediato, o nome de Carlos Braz Lopes a uma das marcas registadas de maior êxito de Portugal, mas este é o homem que criou e fez de O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo (MBCM) um case study

Depois de deixar os portugueses pelo beicinho, o negócio expandiu-se para o Brasil (onde, entretanto, foi adquirido pela CPQ Brasil S.A. e vai de vento em popa, com lojas em vários pontos do país), e ganhou filiais em Madrid, Nova Iorque e, mais recentemente, pasme-se, em Sydney, na Austrália. 

Além do Galo de Barcelos estilizado, presença obrigatória, as lojas além-fronteiras vendem outros produtos made in Portugal como sanduíches de queijo da serra com marmelada.

[A capa de "O Melhor Livro de Chocolate do Mundo" (foto de divulgação)]

Quem só conhece o empresário de sucesso, dirá que tem olho para o negócio, mas desconhece que atrás da fórmula está um homem que, não sendo cozinheiro, ganhou o respeito e a amizade de inúmeros chefs e figuras da gastronomia portuguesa por ser proprietário da loja Cozinhomania e percursor, numa altura em que o assunto ainda não era moda, dos cursos de cozinha em solo nacional desde 1997.

Há dias, num espaço que lhe é muito caro (o Mercado de Santa Clara, onde era sócio-gerente do restaurante que levava o mesmo nome e que se encontra para trespasse), juntou ao seu currículo um livro.

Numa época em que toda agente escreve livros — e para mais, livros de receitas —, a iniciativa arriscar-se-ia a passar quase despercebida, não fosse ele um homem que gosta de correr riscos e um provocador nato.

[Bolo de Bolacha do Sebastião, uma das receitas do livro (@ana paula carvalho)]

O livro traz como título, nada mais, nada menos, "O Melhor Livro de Chocolate do Mundo" e vem recheado de receitas simples e sem pretensões a ser mais do que realmente são.

Sempre sem fugir ao chocolate, ele rebuscou nas suas memórias de infância, assenhorou-se de receitas de amigos e conhecidos e montou todo um roteiro de guloseimas que acaba por ser também um exercício de afetos.

Com fotografias de Ana Paula Carvalho e food styling de Maria Antónia Linhares, o livro só não traz, como é óbvio, a receita do MBCM. Mas essa, ele não revela nem sob tortura, eu acho.

[Cheesecake de chocolate branco, outra receita do livro (©ana paula carvalho)]

Já das suas viagens, que adora, não faz segredo. Há uns tempos pedi-lhe, a propósito dos 10 anos do fatídico 11 de Setembro, um miniroteiro dos seus endereços de eleição quando está em Nova Iorque. O artigo, que se destinava ao extinto suplemento NS, acabou por não sair. Uma culpa que carrego, embora não sendo minha, e da qual me redimo em parte ao partilhar agora, e aqui, o seu itinerário sugerido. 

[The Standard, o hotel eleito de Braz Lopes na "Grande Maçã" (foto de divulgação)]


Manhattan por Braz Lopes (para lá, claro, da loja do MBCM em 37 Spring St., entre as ruas Mott e Mulberry): 

The Standard: é um hotel fantástico; pela vista dos quartos, e também pelo seu bar, lindíssimo. 
Café Gitane: restaurante pequeno no SoHo, com frequência moderna, muito ao estilo da vivência de Nova Iorque. Outro de que também gosto é o Epistrophy. Ambos ficam perto da minha loja, na Mott. 
Crosby Street Hotel: outro endereço com uma decoração fabulosa. Tem um bar muito, muito trendy, onde se bebe um óptimo mojito
Balthazar: um “clássico” que, apesar de já ser conhecido de muitos turistas, vale mesmo a pena visitar. O pequeno-almoço é delicioso e a sua clientela é a mais heterogéna possível. Estar no Balthazar é estar em Nova Iorque e a padaria, na porta ao lado, tem talvez os melhores pães que já comi. 

E ainda sobre o livro que acabou de publicar:
Título: O Melhor Livro de Chocolate do Mundo
Editora: Casa das Letras (LeYa)
Nº de págs.: 160
PVP: €16,95

8.8.11

#directo do porto: éclair de chocolate, o da leitaria ou da boulangerie?

[A Torre Eiffel não engana: a Boulangerie de Paris é de inspiração francesa; aqui no endereço da Boavista (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)
Os éclairs do Porto têm fama.

Ou, por outra, os éclairs da Leitaria da Quinta do Paço criaram fama, ganharam adeptos e fizeram história. Mas, já não estão sozinhos e disputam agora as preferências com os da Boulangerie de Paris.

[A Leitaria Quinta do Paço, de 1920, reabriu há uns anos e têm serviço de esplanada (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Os primeiros, eu conheço e não é de hoje. Desde que a Leitaria reabriu há uns anos — há quem diga que perdeu a antiga allure de café-confeitaria e que o serviço, por vezes, não é lá essas coisas —, e sempre que vou ao Porto, com muito ou pouco tempo, arranjo maneira de passar na praça Guilherme Gomes Fernandes.

[O éclair de chocolate, com cobertura semi-amarga e recheio de chantilly, da Leitaria Quinta do Paço (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

E vou, assumo, por uma única razão: os deliciosos éclairs de chocolate. O que têm de especial? Uma cobertura semi-amarga, que faz um afortunado contraste com o recheio de chantilly fresco, a €1 a unidade.

Mais recente na cidade, mas já com inúmeros seguidores, a Boulangerie de Paris era, até esta minha última passagem pelo Porto, uma novidade absoluta para mim. Com três endereços à escolha — Boavista, Baixa e Foz —, acabei por escolher a primeira loja, na rua Gonçalo Sampaio, não muito longe da Casa da Música e da praça de Mousinho de Albuquerque.

[A Boulangerie de Paris da Boavista (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Até onde apurei, o conceito foi trazido por dois casais de franceses, os Bordelle e os Label, que, animados pelos relatos de amigos portugueses imigrados em França, arriscaram-se a abrir um negócio na Invicta (e fala-se que Lisboa está na mira).

A loja da Boavista fica numa arcada comercial e é ampla o suficiente para abrigar um salão e uma área de serviço, com  enormes balcões, onde os ex-líbris da casa — os éclairs, claro, mas também os macarons, os financiers, os croissants ou as religieuses, para citar os óbvios — ficam expostos de forma a que os olhos também comam. 

[O éclair de chocolate da Boulangerie de Paris, com recheio de mousse (©joão miguel simões, todos os direitos reservados)

Fui directo ao ponto desta visita e pedi o meu éclair de chocolate para o devido tira-teimas. Não notei grande diferença na massa, mas tanto a cobertura como o recheio diferem bastante do exemplar da Leitaria. A primeira tem um sabor menos intenso, quiçá para contra-balançar o gosto mais pronunciado do segundo, que em lugar de chantilly opta antes pela mousse.

Interessante, mas, ainda assim, prefiro a combinação do éclair de chocolate da Leitaria da Quinta do Paço. Acho-a mais fresca, mas, reconheço, é pessoal. Na dúvida, prove os dois. Melhor, prove também os outros sabores e eleja o seu predilecto. 

Leitaria Quinta do Paço | Pç. Guilherme Gomes Fernandes, 49, tel. 222 004 303, todos os dias
Boulangerie de Paris (vários endereços, todos os dias)

5.7.11

#directo de madrid: arregalar os olhos com as guloseimas de oriol balaguer


[Oriol Balaguer, natural da Catalunha, trabalhou com Adrià antes de se estabelecer por conta própria e abrir a sua loja em Madrid, abaixo (fotos com direitos reservados)]



Mesmo em tempo de crise, Madrid continua a ser um destino muito apetecível para se deixar tentar. 

Pelo óbvio e não só. 

Na Ortega y Gasset, uma das artérias mais caras a seguir à Serrano e à Goya, a loja madrilena do catalão Oriol Balaguer — chefe-pasteleiro treinado no elBulli de Ferran Adrià, que, após colaborar com restaurantes, decidiu arriscar e estabelecer-se por conta própria — mantém-se low profile, mas só passa por ela sem a ver quem anda muito distraído. 

[A loja de Madrid não é uma chocolateria ou pastelaria convencional (foto com direitos reservados)]

À entrada, não sabemos se estamos num stand de ponta ou numa joalharia futurista, mas à saída a sensação é de ter aprendido que, às vezes, chocolate e bolos são mais, muito mais, do que apenas chocolates e bolos. São, no caso de Balaguer, obras de arte com embalagens, e preços, à altura —além das barras de chocolate, produzidas a partir de grãos de cacau Grand Cru, há também vários tipos de biscoitos, bolas (laranja, limão, avelãs, nozes...) cobertas de chocolate de leite ou de chocolate negro, bombons, macarons e pastelaria de autor.

[Os bolos são dispostos, e iluminados, como peças de arte (foto com direitos reservados)]

Nesta última visita, porém, descobri a sua Classic Line, muito mais abordável (em termos de preços) e destinada ao dia-a-dia. Balaguer quis recuperar da sua infância os sabores mais simples e os rituais mais básicos como a ida à rua para comprar o pão acabado de sair do forno.

[O design da loja madrilena acompanha a sofisticação das criações de Balaguer (foto com direitos reservados)]

Bons ingredientes, fermentação lenta e artesanais. São assim os pães, croissants, pains au chocolat e mais duas ou três variedades que podemos comprar, mandar embrulhar e levar para casa. No meu caso, o croissant e o pain au chocolat, estaladiços, duraram pouco, já que não resisti a devorá-los ali mesmo, enquanto passeava pela Ortega y Gasset.

[Porque os olhos também comem (foto com direitos reservados)]

C/ José Ortega y Gasset, 44, Madrid/Espanha, tel. +34 91 401 6463
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